quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A VISITA ILUSTRE DE UM FALCÃO E DE UMA COSTUREIRA DAS PALAVRAS


Cozinha dos Vurdóns

É com o doce que proponho a luta
Com os sabores conto a história
Vou mexendo o meu tacho
Nas diferenças não me acho

Nossa mesa é farta de paz
Temperada com o trabalho
No alimento a salvação
Um convite à união

Do vurdón exala o cheiro bom
Das delícias da dignidade
Do prazer que é a igualdade
Adelante! Caminhar!

Que as rodas do meu vurdón
Levem-me a todo lugar
Desta terra que é meu lar
E ainda irá me valorizar

Van (Retalhos do que sou),
uma costureira das palavras.

Fille à la ficelle
Saintes Maries de la Mer, 1952 


Queridas amigas,
 Cá venho à vossa procura, no sítio onde
"Se cozinha as idéias,
 a céu aberto,
 na esperança que outros apareçam pra comer..."
 E sempre cá venho "comer" um bocadinho! Ideias não faltam, sentimentos também não... 
E a solidariedade é a comida de todos os dias...


Falcão de Jade


Uma das lições mais importantes que recebemos na vida, foi a de que em volta de uma fogueira pode-se discutir o destino de uma nação inteira,

Que o único objetivo de se buscar a paz é encontrado nas guerras,

Que não vamos vencer todas as batalhas, mas podemos ajudar a construir a paz,

Que devemos aprender o que ensinamos e portanto devemos fazê-lo da forma mais simples do mundo,
Que podemos falar  de política, de amores e divórcios numa mesa de café, mas que precisamos que seja feito com mais de uma pessoas,

Ao longo das nossas vidas chegamos a algumas constatações:

As verdades da vida são muitas, tente não perder nenhuma.
Muitas vezes usamos do estereótipo que tanto combatemos para nos proteger dos outros ... ou de nós mesmos?
Sonhar e fazer da sua vida uma realização desse sonho, pode fazer de você uma pessoa não grata.
O único inimigo que pode lhe ferir mortalmente pelas costas é aquele que você confia, ninguém chegaria tão perto assim.
A capacidade de resistir só é menor que a capacidade que temos de amar.
Que Deus nos conceda saúde, pois coragem nos temos e nos dê amigos sinceros, que costuram palavras e declamam carinho.
Amigos sempre valem a pena e “sempre” é uma palavra mágica, dita pelas fadas, quando contam as aventuras das águas – as fadas da vida.
E é por isso que uma simples roda, pode se tornar o maior emblema, a maior marca de uma nação, a nação Rromá.


As Cozinheiras da Cozinha dos Vurdóns


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

UMA BOA DESCULPA

A Cozinha dos Vurdóns resolveu que neste fim de ano, daríamos cursos das geléias e suas variações de serventia ... a desculpa pra montar o curso foi um almoço divertido ...
Recheada com queijo, manjericão e tomates ...
Dois minutinhos na água quente e pronto. O creme foi feito a base de azeite de alecrim, tomilho fresco (muito), manteiga de sálvia e nata fresca.
 Claro, a massa é da SanFelice ... sem igual ...
Divino e saboroso ... inspirador mesmo. E tempo pra fazer o cartaz, agora é mãos a obra ... 


 O investimento será revertido para as cartilhas sobre os povos de cultura romani no Brasil - voltada para os gestores públicos.
É preciso conhecer para ajudar a fazer do Brasil, um país realmente de todos.

Cozinha dos Vurdóns 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A COZINHA DOS VURDÓNS

A COZINHA DOS VURDÓNS


Passa o tempo dos relógios
do chão batido,
da panela de ferro que esquenta mais que o alimento,
aquece a alma.

Vagueia entre o imaginário e a realidade,
o sonho e a névoa.


Arde o tempo dos homens
e a madeira reforça o elo da vida e das circunstâncias.


São tempos onde a memória permanece dependurada,
onde esquecer o passado e estender as mãos para o futuro
é o único caminho.
Esquentam-se os tachos.


Se cozinha as idéias,
a céu aberto,
na esperança que outros apareçam pra comer.


E das trempes aquecidas a brasa e carvão,
vão se tecendo os sonhos do novo tempo.

É preciso acreditar na mudança,
é preciso acreditar na vida.


É preciso acreditar na mudança,
na aliança que se renova,
nos dias que passam,
nas primaveras que sempre voltam.

Se você não notou diferença nas fotos,
veja bem:

a primeira é uma retratação do sonho da vida dos romani, lúdigo, sonhador.
a segunda uma comida preparada na Alemanha, em acampamento Romani,
Os tachos de uma fazenda no Brasil, igual aos do Marrocos,
A próxima na RomÉnia,
oas panelas nos ranchos de Goiás e Minas,
A última em Kosovo.

Não há mesmo diferença nas fotos,
porque não há diferenças entre os romani e nem entre qualquer etnia.

A nossa cozinha luta para manter os tachos limpos,
a comida aquecida,
e a esperança renovada.
Esteja ele onde estiver.
Árvores tem raizes,
nós não.

Cozinha dos Vurdóns

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

UMA RELEITURA DA COZINHA TRADICIONAL



Depois de uma semana pra lá de corrida, viemos com muitas receitas num dia de testes.

A releitura de pratos tradicionais, que foram adaptados com carinho e praticidade. Do chapati – o pão mais conhecido na índia ao recheio da guibanitza salgada (leste europeu).

 O chapati ganhou mirrá e tomilho, acrescido de azeite aromatizado de pimenta. Foi levar pra frigideira e pronto. A farinha integral faz todo o sentido e fica pronto em menos de 1 hora.

 A Guibanitza ganhou ervas secas e peru refogado com alecrim e tomates frescos. Virou tortinha, sem a massa que normalmente o envolve.
Da rosca turca com carinha de sequilho e feita com farinha de arroz e até as bolinhas de nozes e chocolate branco, só que forradas com com cacau amargo (em Pó).



Recriar e adaptar os alimentos sempre foi a postura de povos tradicionais, os viajantes sabem bem disso. Então, mãos a obra, na cozinha e na vida precisamos mudar o foco, para que direitos e tradições andem juntas, em respeito e liberdade.

 Até o picadinho de peixe - filé de bacalhau com caminha de pimentões vermelhos e alho porrô ficou divino. Os coentros não foram dispensados, nem a preparação do refogado com muito limão.

E assim se segue a vida, preparando as entregas de natal, especialmente para quem ainda não cresceu o suficiente para entender essa diferença absurda entre as pessoas e o poder financeiro e aquelas que já passaram da idade de perder mais um sonho, o sonho de um presente de natal.
Junto com tudo isso, políticas públicas é claro, pensar, sugerir e conversar. Esse é o nosso caminho, que sempre nos leva a cozinha.

Cozinha dos Vurdóns

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

UM CHÁ DE SOLIDARIEDADE E HISTÓRIA

O chá - Tchaiô do dia 10 foi um sucesso e a arrecadação de panos de prato foi feita - mais 5 famílias poderão trabalhar e levar para suas tendas a comida digna do seu trabalho. 
 A presença de professores da rede pública é simplesmente fundamental - conhecer para vencer o preconceito. (Dalva e a Profª Carmen - AEAPE ).


 Países irmãos, Brasil e Portugal - a mesma dificuldade no rosto. A profª Olga (Centro de Ensino para alunos especiais) visita a exposição
Com isso:

*conversamos sobre cidadania,
*mostramos o outro lado da moeda,
*damos o peixe e ensinamos a pescar, com referencias sobre economia e aproveitamento.
*juntamos dados para que as políticas públicas sejam aperfeiçoadas e dançamos.
 A AMSK/Brasil e o Padre Juan, da Igreja Ortodoxa Antioquina - São Jorge/Brasília.


As alunas do grupo Sara Kalí de danças ciganas e amigos.

Os homens entraram firmes, nas conversas e nas danças.
E os ritmos do leste europeu com o Grupo Sara Kalí, que hoje já comemora a vinda do núcleo de Rajadinha - o Grupo Ale Ale Sara Kalí - um projeto que nasceu a alguns anos e hoje dá frutos de cidadania e promoção da saúde.

O Grupo Sara Kalí de Danças Ciganas
profª Lu - coordenadora
Profª Flávia - Instrutora

Profª Márcia - Instrutora

E tantos outros que aqui estiveram, dando sua contribuição e abraçando a causa de lutar contra a discriminação e o preconceito aos povos romani.

Obrigada a todos que aqui vieram e se juntaram a nós para mais uma ação do Brasil Romani - Eu Sou. 

Cozinha dos Vurdóns

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

MAMALIGA A POLENTA DA MAYLÊ



MAMALIGA
A POLENTA DA MAYLÊ


Polenta é comida de gente grande e de gente pequena, chique e simples, vai da mesa da cozinha para a mesa de grandes chefes ... e isso é a nossa cara, claro.

Na fazenda tinha um tal de polenta com molho de ovo, polenta com caldinho de feijão, polenta de tudo que é jeito.

Aqui vai a receita básica e algumas sugestões que fazem parte da nossa vida diária. Polenta é tudo de bom.

RECEITA DE POLENTA BÁSICA

 com queijo

Coloque 1 ½ de água pra ferver com 1 colher (sopa) de sal e 2 de manteiga. Quando ferver, acrescente 400 grs de fubá – Minoso – em ½ litro de água, pra dissolver melhor e em seguida acrescente esse fubá na água fervida. Mexa, o segredo é não empelotar. Abaixe o fogo e deixe cozinhar por uns 20’.
Essa é a parte básica da coisa, mas a gente costuma colocar depois dos 20’, 1 copo de requeijão cremoso, noz moscada e cebolinha fresca, mexa bem, desligue o fogo e tampe a panela.
Se você optou por uma mamaliga mais encorpada, do tipo festa, enquando o fubá está no fogo, vá a luta e prepare seu molho preferido.
 como se faz em Romênia, vai se acrescentando a farinha aos poucos, mas aí tem prática pra mais de ano, né?

Pode ser de cogumelos, de queijo recheado, pode ser de espinafre e por aí vai.
Para rechear, coloque a mamaliga já pronta num refratário, coloque o recheio e cubra com o restante. Leve ao forno quente por poucos minutos, apenas pra incorporar, coisa de 10’e bom apetite.

 com bacon e ovo

com funji

Mamaliga é uma comida tipicamente de camponeses, da Romênia e da Moldávia, se parece com a polenta da Itália e o Mingau de fubá ou o Angú do Brasil. É feita de farinha de milho e por muitas e muitas vezes substituiu o pão, na mesa dos mais pobres. Comida de gente simples que encanta as mesas mais soberbas do mundo. Como na vida aliás, na natureza e no resto do universo, pena que os seres humanos insistem em separar. Mas vamos lá. 


EXTRACT FROM AN INTERVIEW WITH LOCAL MAN BOB CLINTON - Journal 1
Recorded 26.5.1984 at Suckley, Worcestershire by Eric Payne
http://gypsymagicspells.blogspot.com.br

Cozinha dos Vurdóns

nos vemos no Tchâio

 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

TCHAIÔ ROM/BRASIL E PORTUGAL




Às vezes e por vezes temos a tendência de acharmos que estamos sós, que nosso sofrimento é único e que nossas dificuldades são sem precedentes.
Esse isolamento vem de falsas informações, de falta de convívio e da fragilidade de inserção por assim dizer, trouxe muitos problemas para as minorias e para as comunidades tradicionais.

Esse é um bom momento para conversarmos, não para discutirmos soluções e sim situações. A conversa clara e franca, nos dá a exata dimensão de tantas coisas que desconhecemos. Conhecer para respeitar. Esse trabalho do Grupo Sara Kalí de danças tradicionais e da AMSK/Brasil, vem sendo realizado desde 2002 e em nova roupagem desde 2009.
Trata-se de compreender que o mecanismo de ódio ainda continua, não parou e a sociedade como um todo deve saber disso.
Os panos de prato arrecadados fazem parte do programa de ação afirmativa BRASIL ROMANI – EU SOU e servirão de análise do preconceito (mediante coleta de dados entre a população sobre a prática e venda ambulante das mulheres). Dará sustento a mulheres que dependem dele para dar a subsistência da sua família. São as muitas realidades no Brasil.
Por aqui, começar a compreender, a ideia da ajuda e a boa vontade em saber que existem possibilidades que passam pelo que pensamos e pelo que achamos, isso irá se refletir em atitudes.
Passando por cima de achismos, de prepotência e vaidade, vamos construindo um caminho para que os que não conhecem os Rrom, possam compreender que são distintos entre si, são muitos e são antes de tudo, crianças, mulheres, homens, cidadãos e cidadãs de brasileiros(as) de etnia Romani.

foto - prof. Flâvio José/Florânia - Brasil

foto - Bruno Gonçalves - Portugal



Em Portugal o lançamento do livro "Portugueses Ciganos e Ciganofobia em Portugal" – José Gabriel Pereira Bastos – org.

Quando comparado com Espanha, o atraso no conhecimento, na representação a nível nacional e na integração dos portugueses ciganos é enorme. “Portugueses Ciganos e Ciganofobia em Portugal” ensaia contribuir para reduzir o desconhecimento e os preconceitos que ocultam essa distanciação em vias de agravamento e para expor a negação sistemática de quanto esse atraso se deve a uma ciganofobia generalizada, indo do aparelho de Estado e Municipal às polícias e às populações locais que se opõem à integração das famílias ciganas, impedem o seu realojamento social e a sua contratação no mercado de trabalho e as reenviam para espaços marginalizantes ou para um “nomadismo” forçado.

Trata-se de uma colectânea de 10 investigações etnográficas, sobre a instituição fulcral que é o casamento segundo a Lei Cigana (abordada pelo primeiro doutorado cigano em ciências sociais); sobre as mudanças registadas após a revolução de 1974 ... a Igreja Cigana; sobre o aparecimento de uma Associação de mulheres ciganas, a AMUCIP; sobre a diversidade identitária e de condições de vida dos “ciganos” em cinco regiões do país e sobre a ciganofobia que os atinge, criando um impasse inter-étnico. 
 

Fechando esta série, surge um ensaio de análise das estratégias da ciganofobia institucional e popular, a qual ganha, no mundo virtual, anónimo e irresponsável, reverberações genocidas. bem como de detecção das infracções da Lei que discriminam estes Portugueses e das graves consequências daí resultantes. Oscilando entre negar na Constituição a diversidade étnica dos portugueses e tutelá-la minimalmente num Gabinete infra-dotado, assimilando estes portugueses “não-lusos” ao mundo estrangeiro dos imigrantes, o Estado português tudo faz para manter uma política de negação da discriminação violenta que os atinge, de “investimento em pequenos passos” locais, e de afirmação pública de ‘boas práticas’, ocultando a gravidade das más práticas, que superabundam, contribuindo para perpetuar este impasse inter-étnico e para o aumento do atraso dos portugueses ciganos na península Ibérica.
Os dois textos finais contrastam a situação portuguesa com a vida social e política dos ciganos da Roménia, os Rom, evidenciando que “ser cigano” não obriga à pobreza ou ao anonimato e à passividade política.

Este é um bom exemplo dos brandos costumes e do não racismo à portuguesa. Não criamos partidos anti-ciganos nem os assassinamos incendiando-lhes as casas com cocktails Molotov e matando-os à saída a tiros de metralhadora, como na Hungria a caminho de um neo-nazismo.
 Apenas, discretamente, negamos a existência da questão cigana em Portugal, declaramos na União Europeia que não existem minorias étnicas em Portugal e que somos nesse aspecto um exemplo para a Europa (afirmado pela euro-deputada Ana Gomes, em sessão pública!!!); governantes e 'técnicos' afirmam que temos "boas práticas", escamoteando que temos muito mais más práticas e que apresentamos até más práticas como boas (parques "nómadas" para famílias que não o são; ensino escolar em edifícios separados ou em contentores), afirmam uma "política de pequenos passos", escamoteando quantas centenas de famílias não são realojadas porque a população não quer e a vereação quer ser reeleita e escondem o que tem sido repetidamente afirmado por técnicos de Centros de Emprego, até mesmo em Audição no Parlamento, frente a deputados de todos os partidos que, por mais cursos que tirem através do RSI, nenhum empregador aceita qualquer cigano em Portugal, o que obriga muitos a passarem a viver em clandestinidade etnica, para poderem manter empregos; escamoteando quantos destes portugueses vivem na lama, em tendas, barracos, ruínas, carros e caravanas sem rodas, em cima de lixeiras, para onde foram empurrados pelos Municípios, numa situação que está a piorar com a chegada à idade adulta de uma nova geração de casais, filhos de pais realojados pelo PER, nos anos 90, que já não cabem em casas em que chegam a viver 15 pessoas; e, sobretudo, que estes portugueses têm menos 15 a 20 anos de esperança de vida do que a média nacional, o que implica introduzir o conceito de genocídio parcial, no valor de milhões de anos tirados aos cem mil portugueses ciganos (um genocídio a mais de 20% da vida de cada um deles). Mas o que importa isso se somos "um estado de direito", um democracia, um país católico, um exemplo para a Europa... (JGPBastos)


O livro 
estará disponível a partir de 2ª feira, 5 de Novembro, após o lançamento, mas certamente o encontra já na livraria da Colibri, na FCSH (Av. de Berna, 26)...

Matéria divulgada por Bruno Gonçalves – kalon – Portugal, um homem, um cidadão Português de etnia Romaní, a quem a AMSK/Brasil, admira e partilha a luta, o carinho e a amizade.
Na certeza de que apenas enfrentando as dificuldades e agindo, poderemos ajudar na desconstrução dessa doença chamada racismo.

Cozinha dos Vurdóns

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SOU CIGANO - Bruno Gonçalves