quinta-feira, 21 de abril de 2016

AGRADECEMOS ÀS MULHERES QUE SOUBERAM DIZER NÃO





Prezadas Senhoras Deputadas,

Nós, mulheres de etnia romani (ciganas), fundadoras da Associação Internacional Maylê Sara Kalí (AMSK/Brasil), organização que atua na promoção e defesa dos direitos dos povos romani (ciganos), vimos, por meio desta, expressar nosso respeito e profunda gratidão pelo posicionamento de Vossa Excelência no processo em curso em nosso País com relação ao impeachment da Presidenta Dilma Rousseff.
Neste momento, assistimos à insurgência de uma onda conservadora e reacionária em nosso País – e não apenas nele –, e que ameaça direitos conquistados com muita luta. Nossas lutas, e de muitas outras mulheres que nos antecederam. Como mulheres, cidadãs brasileiras de etnia romani (cigana), nos sentimos profundamente atingidas pelas mais diversas expressões de sexismo, discriminação e violência de gênero direcionadas à Presidenta Dilma e a todas às corajosas deputadas que votarão NÃO com relação à admissibilidade do processo de impeachment.
Defendemos veementemente a liberdade de expressão e o debate de ideias. A existência de diferentes correntes ideológicas em um mesmo cenário social e político faz parte da essência dos regimes democráticos. Porém, o que vemos neste momento há muito deixou de ser um debate que respeita os preceitos democráticos. O que vemos é o surgimento de um projeto político ideológico excludente, conservador e baseado em um discurso de ódio com elementos sexistas, racistas e homofóbicos. O que vemos é o sistemático desrespeito aos direitos humanos, e uma tentativa de fragilizar conquistas que considerávamos já consolidadas.
Os discursos de ódio são um mecanismo constante de propagação de ideologias que ao longo da história promoveram forte perseguição aos povos romani (ciganos). O exemplo mais evidente disso é o efeito provocado pela ideologia nazista sobre inúmeras famílias romani (ciganas) na Europa.
No período de 1939 a 1945, homens e mulheres romani (ciganos) foram sistematicamente perseguidos, presos, enviados a campos de concentração, utilizados em “experimentos médicos” e assassinados. Após o fim da II Guerra Mundial, estes eventos foram muito pouco divulgados e a morte de cerca de 500 mil homens e mulheres romani (ciganos) durante o holocausto foi praticamente esquecida. Este é considerado o maior genocídio da população romani (cigana) na Europa em toda a sua história, tendo provocado o extermínio de três quartos da população romani (cigana) europeia. Para muitos grupos romani (ciganos) este período é denominado Porajmos – palavra em romanês que significa a Grande Devoração.

Esta é uma história recente, que motivou a vinda de muitas famílias romani (ciganas) para o Brasil e que permanece muito presente em nossa memória. E é em honra e respeito aos nossos antepassados, à todas as mulheres, homens e crianças de etnia romani (cigana) cuja perseguição e assassinato encontraram justificativa em discursos de ódio e ideologias racistas,  que nos posicionamos em defesa da democracia e contra qualquer tentativa de promover retrocessos no que diz respeito aos direitos humanos, ao respeito à diferença e às medidas adotadas em termos de políticas públicas e legislação para o enfrentamento ao racismo, ao sexismo e à homofobia.

Gratas por sua força, por sua coragem e por seu verdadeiro compromisso com a democracia, afirmamos: o posicionamento de Vossa Excelência nos representa.

Nos manteremos na luta, lado a lado, nesta caminhada.

Com carinho, respeito e admiração, nos despedimos.

Atenciosamente,   

As mulheres da AMSK/Brasil.

Elisa Costa

Presidenta da AMSK/Brasil

terça-feira, 5 de abril de 2016

Eu, você e ela RROMÁ DAY Nós, vós e elas.

CONVERSAS NA COZINHA DOS VURDÓNS

Eu, você e ela
Nós, vós e elas.

arte: José Ruiter

Uma situação bem cotidiana por aqui, são as conversas em volta da mesa da cozinha. Por lá, passam os filhos pedindo um lanche, os companheiros que vão dar uma olhadinha e por vezes beliscar, as mais velhas alisam a mesa, na espera de uma boa conversa, as meninas, na ânsia de aprender algum doce ou mesmo de dar uma escutadinha na conversa das mais velhas.

Pela beira do fogão, mulheres se juntam para celebrar casamentos, para desabafar o drama do cotidiano, lembrar e construir o futuro, com suas esperanças embaladas pelos mais variados cheiros, sabores e saberes.

Assim podemos definir as mulheres que pertencem aos Povos e ou comunidades tradicionais.

É nessa imagem e nesse conceito que nos preparamos para o Rromá Day ou o Dia Internacional do Povo Cigano, dia 08 de abril.

E é assim que se constrói uma nação, com mulheres fortes, capazes e amáveis. Esse papel que hoje se constrói no país e em muitos países do mundo, não permitirá retrocesso, nem imparcialidade.

A cultura do ódio é oposta a criação magnifica de um prato suculento ou mesmo um manjar de última hora. Se chamamos de pastel ou pirogue, não importa, se falamos Sarmí ou charuto, Pufa ou pãozinho frito com mel, acabamos nos entendendo. Sempre.

Então, vamos cozinhar pela democracia, trazendo para bem perto do banco, a prof. Priscila Paz Godoy com seu livro: “O povo invisível, os ciganos e a emergência de um direito libertador”, da editora D’Plácito. Vamos fazendo essa ciranda, essa roda, cuja maior inquietude ainda continua sendo o direito a uma existência digna.

localisation Bibliothèque municipale de Lyon / P0701_006BIS_N2260_C307
Malashka zamko et le samovar

Por mim, com você e para ela
Comigo, convosco e por todas.

Cozinha dos Vurdóns


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