quarta-feira, 30 de novembro de 2011

CAPPELLETONI DE RICOTA


Cappelletoni de ricota ao molho de tomates pelados e bacon - BERTHA NA COZINHA


Picar 4 fatias de bacon e colocar em uma frigideira antiaderente com um pouco de água (a água vai dar uma pré-cozida no bacon e vai fazer com que doure de maneira mais uniforme), afinal o bacon não precisa nem de óleo nem de azeite. 




Bem, quanto a quantidade, vai parecer que 4 fatias é muito para duas pessoas, mas ele encolhe bastante. Depois que ele dourar, jogue fora toda a gordura que saiu dele, volte com a frigideira para o fogo, acrescente 01 lata de tomate pelado (ele vem inteiro, mas bem macio, então você pode desmanchá-lo com a colher mesmo), 01 colher de sopa de ervas de provence e 02 colheres de chá de alho tostado (usei alho tostado  fatiado nesta receita, e não o fresco, porque a frigideira fica muito quente ao tostar o bacon, e se colocarmos o alho fresco lá antes do molho, ele queima em vez de dourar - o que deixaria o molho amargo). Depois de juntar todos os ingredientes teste o sal, abaixe o fogo e deixe que cozinhe um pouco.



Enquanto o molho cozinha, coloque água para ferver em uma panela com um pouco de sal (sem azeite). Um pouco antes da água levantar fervura (quando ela já estiver com bolhinhas no fundo da panela, mas elas ainda não tiverem subido), coloque o 01 pacote de cappelletoni de ricota dentro da panela. Assim que a água ferver (em 3 ou 4 minutos) você pode desligar o fogo para que a massa não se abra e não solte o recheio na água. Escorra a massa em um escorredor ou vá tirando aos poucos com uma escumadeira. Coloque em um prato que possa ir ao forno. Cubra com o molho, um pouco de queijo ralado e leve ao forno para dar uma gratinada. Nós aqui não resistimos ao cheirinho e comemos sem gratinar mesmo (que também fica muito bom). Rende 02 porções.


Dicas:
1 - o procedimento de cozimento da massa descrito acima serve para massas frescas recheadas. Se você tiver uma massa de grano duro o processo é outro (normalmente as massas trazem em suas embalagens a maneira correta de prepará-las).
2 - Se você está fazendo uma massa sem recheio, vale a pena cortar umas bolinhas de mussarela de búfala para colocar por cima da massa e cubra tudo com o molho. Neste caso, também seria melhor trocar as ervas de provence por manjericão fresco... fica divino...

 Tá servido?
Cozinha dos Vurdóns
gypsy woman - Renee Womack

terça-feira, 29 de novembro de 2011

GUIRLANDA DE TOMATES



GUIRLANDAS DE TOMATES

Recebemos essa guirlandinha de tomates que nos foi enviada por uma amiga - a Zerafim-  contos de um anjo.







Tomate cereja, azeitona recheada, queijo prato e queijo branco, alface pra decorar. Bonita e prática, leve e encantadora.


Gravura 1874 - Julian Scott




Monet
gypsy girl
Reprodução de grandes pintores.





Pão de festa
(entradinha de natal - Grécia)

6 paezinhos redondos - de sal,
2 fatias de queijo feta amassados com o garfo,
ameixa sem caroço - 3 para cada pãozinho - temperadas com azeite, sal e alecrim,
1 pimentão vermelho grande em tiras - refogue - o rapidamente no azeite com azeitonas pretas picadas (10).


Monte os paezinhos:

Achate-os com a mão e coloque as ameixas temperadas, o pimentão e o queijo feta - uma entrada e tanto.

Marcel - 1899 - O acampamento Gitan

De amenge, adadives, amaro sabdivesuno maro;
(O pão nosso, de cada dia, nos dai hoje)

Devlesa rromí
Cozinha dos Vurdóns

domingo, 27 de novembro de 2011

FOLHADOS DE FRAMBOESA - RECIPÉ DE NATAL


Folheado (ou folhados) de Framboesa

Receitas da Bertha

 Essa receita antecede o dia da ceia, naquele café gostoso com rabanadas. Naquele encontro que marcamos para receber e ter algum tempo de conversa franca com as pessoas que amamos. Mas, se fizermos do Natal uma esperança diária, poderemos realizar mitas ceias, teremos boas e proveitosas conversas e é claro...comeremos muitos folheados de framboesa.

Como não se pode colocar recheio quente dentro de massa folheada, esta receita deve ser feita em duas partes. Primeiro o creme (com um intervalo de tempo suficiente para o creme esfriar) e depois a montagem do folhado propriamente dita.



Então, vamos ao creme de pasteleiro. Coloque uma panela no fogo com 250 ml de leite e 1/4 de xícara de açúcar e deixe levantar fervura. Desligue o fogo e reserve. Com uma batedeira, bata 2 gemas com 1/4 de xícara de açúcar até que forme um creme fofo. Acrescente, sem parar de bater, 1/4 de xícara de farinha de trigo e uma pitada de sal e continue batendo até que a mistura fique homogênea. Vá juntando, aos poucos, ainda sem parar de bater, o leite com o açúcar (ainda quente), até que forme um líquido homogêneo, amarelado e um pouco espumoso. Volte toda esta mistura para a panela e cozinhe em fogo baixo, mexendo sempre (para não criar grumos), até engrossar. Esta é a receita básica. Se você quiser dar um sabor diferente ao seu creme, esta é a hora de acrescentar o ingrediente e misturar bem. Para esta receita eu coloquei 1/4 de xícara de amêndoas trituradas (mas você também pode colocar baunilha ou raspas de casca de limão, ou outro sabor que queira). Coloque em um prato para que o creme esfrie e cubra com filme plástico para que não crie aquela película por cima (quanto mais espalhado estiver, mais rápido ele esfria).



Quando o creme estiver frio, acenda o forno a 200 graus para que pré-aqueça. Pegue um pacote de massa folheada fresca e vá separando as unidades para recheá-las da seguinte maneira: coloque em uma metade da massa o creme de pasteleiro, mais fundo no meio e mais alto nas bordas (nesta receita faço o creme de pasteleiro mais espesso porque quero que ele retenha a framboesa dentro da massa e que o caldinho que vai sair dela possa se misturar a ele sem deixá-lo muito mole), e no miolo coloque as framboesas (1 1/2 xícara de framboesas frescas será suficiente - eu usei framboesas congeladas - que ao descongelarem se desmancharam um pouco). 



Feche a outra metade da massa por cima e aperte as bordas para manter o recheio dentro (assim com frutas sempre escorre um pouquinho de recheio, mas não chamaria isto de um problema). Coloque os folhados recheados em uma forma coberta com papel manteiga e coloque no forno (pré-aquecido à 200 graus) por 15 a 20 minutos ou até que doure. Salpique o açúcar de confeiteiro nos folhados ainda quentes. Podem ser comidos quentes ou frios. Rende 10 folhados.


Dicas:
1 - existem xícaras medidoras que são vendidas em kits (com as medidas de 1 xícara, 1/2 xícara, 1/3 de xícara e 1/4 de xícara), em diversos materiais (metal, plástico, silicone, vidro, etc.) para quem tiver dificuldade em medir em uma xícara normal, ou achar mais prático (eu acho bem prático).
2 - Eu usei metade da receita do creme de pasteleiro que eu normalmente faço porque para um pacotinho de massa folhada é mais do que suficiente. Se vc for fazer um falhado grande, pode usar a receita inteira (é só dobrar as quantidades).
3 - Se você quiser um creme menos espesso (nesta recita mesmo ou em outra) é só diminuir a farinha pela metade.
4 - Não coloquei açúcar na framboesa porque queria colocar o açúcar de confeiteiro por cima do folhado. Se você quiser colocar uma gema por cima do folhado, ou gostar de doces bem doces, pode colocar umas duas colheres de sopa de açúcar na framboesa também.

Cozinha dos Vurdóns

sábado, 26 de novembro de 2011

CONVERSAS NA COZINHA - NUNCA DESISTIR

   (click na mão e assistao vídeo)

Eu nasci mulher - sexo: feminino, a cor da minha pele, a minha educação inicial, minha saúde e boa parte da minha "genética de vida"vieram comigo...
  Quando nasci trouxe algumas outras coisas também...cor dos olhos, gênio, cor dos cabelos, iria encontrar algumas manias ao longo da vida, mas confesso, nada que pudesse ser previsto.
Sem chance de escolher país, nacionalidade, etnia...
   Então cresci, num beco, num palácio, numa casa de classe média, no campo, na rua, numa casa de passagem ou numa casa de classe alta...até aí tudo como manda o figurino da vida, dizem!!!
  Aprendi muitas coisas, coisas que até Deus duvida, coisas boas, coisas ruins, coisas estranhas e principalmente as regras que ninguem fala, que ninguém conta e que norteiam nossos anos de existencia.

  Conhecí mulheres pobres e felizes, ricas deprimidas, garotas com conversa de idosas e vice-versa. Conhecí tantas cores na pele de uma mulher que seria impossível contá-las, conhecí mulheres que morreram por levantar os olhos, crianças que não se tornaram mulheres, mulheres que jamais seriam gente e foi aí que descobri que lutar, significa prestar atenção na vida, essa é a nossa maior escola, de onde nunca se deixa de ser aluna. Morri com cada uma delas, quando morreram, mas aprendi a nascer com todas as crianças que brotam do sagrado útero de suas mães.

  Descobri que não posso mudar a condição de chegada nesse mundo, mas posso mudar o rumo dos becos, das travessas, dos campos, das cidades. Posso intervir na riqueza e na pobreza. Posso construir e destruir barreiras, vencer a maré e as tempestades, posso morrer por isso, posso viver com isso.

  Mas, descobri que isso começa a acontecer quando descubro que lutar contra a violência que aplaca, derruba e destroi a vida de mulheres em todo o mundo pode e deve ser combatida, somente nós podemos gerar nossos agressores.

  Não se nasce odiando a natureza feminina, se aprende a odiar. E  se nossa fraqueza reside na força bruta, física; nossa fortaleza encontra abrigo na coragem e na nossa própria natureza feminina.

   Aprenda a dizer NÃO e verá que em todas as partes do mundo, outras mulheres fazem a diferença e que portanto a única coisa que nos divide é o silêncio.


Sebastiana,
Kalinka,
Flávia,
Catarina,
Márcia,
Flores,
Lú,
Tereza,
Elisa,
Isabel,
Elizabethe,
Sara...
Assinado pelas mulheres da AMSK
Cozinha dos Vurdóns

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

BOLO DOS REIS OU O PÃO DOS MAGOS



Este bolo é a doce representação dos presentes oferecidos pelos Reis Magos ao Menino Jesus.
A parte exterior simboliza o ouro, as frutas secas e as cristalizadas representam a mirra, o incenso está representado no aroma do bolo.       

 
INGREDIENTES


- 4 e 1/2 xícaras (chá) de farinha de trigo
- 2 tabletes de fermento biológico
- 1 xícara (chá) de açúcar
- 4 colheres (sopa) de leite
- 5 ovos
- 3 colheres (sopa) de vinho do Porto
- 2 colheres (sopa) de casca de laranja ralada
- 1/2 xícara (chá) de azeite de oliva
- 1/2 xícara (chá) de uva passa sem semente
- 4 colheres (sopa) de amêndoas picadas
- 4 colheres (sopa) de nozes picadas
- 1 xícara (chá) de frutas cristalizadas
- 100g de cerejas cristalizadas
- 4 colheres (sopa) de açúcar de confeiteiro


MODO DE PREPARO


Em uma tigela, peneire a farinha de trigo e reserve, em outro recipiente misture o fermento e três colheres (sopa) de açúcar até obter uma pasta. Acrescente o leite aquecido e quatro colheres (sopa) de farinha de trigo, cubra a tigela com filme plástico e deixe crescer por 15 minutos descansando.

Coloque em outra tigela quatro ovos, o vinho do porto e as raspas de laranja e bata rapidamente com um batedor manual e reserve, em uma superfície lisa, coloque a farinha de trigo restante e faça uma cavidade no centro. Junte o azeite de oliva (reserve 1/2 colher de sopa) e o açúcar restante.

Com as pontas dos dedos misture até obter uma farofa, acrescente a massa crescida e misture. Junte, aos poucos, os ovos batidos e sove a massa por 5 minutos, adicione as uvas passas, as amêndoas, as nozes e metade das frutas cristalizadas, misture delicadamente e transfira a massa para uma tigela. Cubra com filme plástico e deixe descansar a massa por 1h.

Em seguida, modele a massa, formando um anel, de modo que no centro tenha 15 cm de diâmetro, transfira a massa para uma assadeira para pizza com 30 cm de diâmetro, untada com o azeite reservado. Deixe crescer por mais 30 minutos, ligue o forno à temperatura média, distribua sobre a massa o restante das frutas cristalizadas e as cerejas.

Pressione ligeiramente com os dedos e pincele toda a superfície com o ovo restante batido leve o bolo ao forno por 40 minutos, ou até que enfiando um palito ele saia limpo.
Retire do forno, desenforme ainda morno e disponha em um prato grande, em seguida, distribua por cima o açúcar de confeiteiro em montinhos. Se preferir, no momento de servir coloque fios de ovos na parte central do bolo.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

OS TRÊS REIS MAGOS E UM POUCO SOBRE O QUE ACREDITAMOS


 (Para as Anas, Falcões, Marias, Isabel, Carlotas, Saras, Blue, Rs, Cezarinas, Zerafins, Andreas, Mares, rromis, amigos e queridos de todos os dias, dos caminhos e das andanças que fazem desse mundo uma grande estrada...vocês fazem parte do nosso natal e o nosso natal é construido todo dia)

Os Reis Magos foram homens que guiados por uma estrela conseguiram visitar Jesus logo após seu nascimento. Reconhecidos como Baltasar, rei da Arábia de cor negra; Melchior, rei da Pérsia de cor clara e Gaspar, rei da Índia de cor amarela, representam os povos de toda cor e nação.

Traziam consigo presentes a Jesus que tinham um significado especial:


O ouro representava nobreza e era presente oferecido apenas para reis; O incenso representava a fé e era presente oferecido apenas para sacerdotes; A mirra representava perfume suave e sacrifício e era presente oferecido a profetas.

Na simbologia, os reis magos também representavam os ricos e poderosos que, apesar de suas posses e conquistas, curvaram-se a Jesus, homem humilde que nasceu de um ventre virgem em uma estrebaria rodeada de animais mostrando que todos nós nascemos para servir o próximo, independente de etnia e classe social.

O OURO

“Mago” não significa bruxo ou feiticeiro, mas sim sacerdote ou sábio. Eles possuíam poderes e dons divinos, acreditavam em seus sonhos, acreditavam nas profecias e acima de tudo acreditavam nos sinais da natureza e das estrelas, o livro aberto dos ciganos – o céu e as estrelas, a lua e os tempos.

 Todos os três eram ligados a astrologia, por isso o dia6 de janeiro é o dia deles e dos Astrólogos.
Da resina da mirra se faz o óleo de mirra – ressurreição, o perfume que cobre o corpo para a outra vida. Cobre o corpo, perfuma e trás consigo o sentido do amargo, do sacrifício inerente a todo profeta. Representa também que todos, independente de etnia passaremos pelos sacrifícios próprios da vida e que isso deveria nos fazer irmãos e não superiores uns aos outros.

O incenso nos traz a fé de seguir uma estrela e encontrar a salvação do mundo – o cristo feito homem. Nos rhons seguimos as estrelas e sabemos que aqui temos de aprender a viver, pois um dia voltaremos pra casa, temos uma fé, em Deus –Dhiel- senhor de todas as coisas. Os melhore incensos ainda são os puros e raros que se vendem na Índia, no Marrocos u os que ainda são confeccionados de acordo com as antigas tradições, resinas e materiais puros, sem química. Feitos de flores e plantas.
O ouro nos coloca da altura dos homens – reis ou plebeus – iguais, todos filhos do grande rei, o senhor de todas as coisas.

 Toda criança e todo adulto deveria ouvir essa história uma vez na vida, quando criança vamos acha-la encantadora, um sonho possível para qualquer criança, mas aos adultos ela deixará claro que precisamos sonhar de novo, mais uma vez.

Gaspar era rei de Markash, o país de mar azul e praias brancas. Nele moravam homens e mulheres de pele clara, cabelos negros e olhos castanhos. Aos seus portos chegavam navios de todo o mundo que vinham para vender suas mercadorias exóticas. O comércio acontecia em todos os lugares, nos mercados das grandes praças e nas pequenas lojas de uma porta só, em vielas estreitas. Gaspar, da torre do seu palácio, contemplava tudo. Como rei ele deveria sentir-se feliz: todos lhe eram agradecidos e todos o amavam. Mas, a despeito de tudo isso, havia no seu coração uma tristeza incurável, nostalgia que mais doía quando o sol se punha sobre o mar incendiando as águas.
Por mais que se esforçasse o rei não conseguia sorrir. Gaspar convocou então os seus sábios e expôs-lhes o seu sofrimento. Os sábios lhe disseram que o remédio para a tristeza é o conhecimento. “A ciência é uma fonte de alegria“, eles lhe disseram. O rei mandou então vir professores e cientistas de todo o mundo, importou livros, estabeleceu bibliotecas, montou laboratórios, construiu observatórios astronômicos. Por anos se dedicou à aprendizagem dos conhecimentos da ciência. Agora estava velho. Sabia tudo o que havia para ser sabido sobre o mundo. Mas a ciência não lhe trouxe alegria. Ele continuava sem saber sorrir. Era madrugada. A luz do sol já iluminava o horizonte. O rei já estava desperto. Na varanda do seu palácio ele contemplava os céus estrelados. Foi então que, olhando para o oriente, ele viu uma nova estrela, estrela que não se encontrava nos mapas dos céus que conhecia. Era uma estrela diferente porque, ao contemplá-la, ele ouvia uma música de indescritível beleza que o fazia feliz. E ele sorriu pela primeira vez. Deslumbrado, mandou vir os sábios que ainda dormiam, e mostrou-lhes a estrela. Mas os sábios, olhando na direção que o rei indicara, nem viram estrela e nem ouviram a música que ele dizia ouvir. Saíram, então, tristemente, convencidos de que o rei estava realmente velho. Os anos de senectude haviam chegado. Gaspar, indiferente à incredulidade dos sábios, ordenou que se preparasse um navio para uma grande viagem, na direção da estrela. 

*

Balt-hazar era rei da Núbia, país montanhoso onde moravam homens e mulheres de pele negra e brilhante. As montanhas da Núbia eram cobertas de vegetação luxuriante, árvores gigantescas, frutas as mais variadas, onde viviam pássaros de todos os tipos. Por todos os lugares se viam riachos de água limpa, com remansos e cachoeiras. Era um país belo e fértil. Balt-hazar, da janela do seu palácio, contemplava as montanhas e florestas que se perdiam de vista e pensava: “O Paraíso deve ter sido aqui...“ Entretanto, e a despeito da beleza e da fertilidade da terra, o rei não era feliz. Havia uma tristeza no seu coração, tristeza que ficava mais forte quando os pássaros cantavam seus cantos de final de tarde. O canto deles era belo e triste: o coração do rei era belo e triste... O rei convocou os sacerdotes, videntes e profetas e falou-lhes sobre a sua tristeza. “De que me vale a beleza do meu país se o meu coração está triste?“, ele perguntou. Os homens santos lhe disseram que a tristeza era sinal de que sua alma estava distante de Deus. “Deus é uma fonte de alegria“, eles lhe disseram. Balt-hazar, então, mandou vir de terras longínquas, místicos e teólogos que lhe ensinassem os caminhos para Deus. Contratou também arquitetos e artistas para construir novos templos. E comprou os livros sagrados de todas as tradições religiosas do mundo. Por anos a fio ele se dedicou às coisas sagradas: leu, meditou, orou... Por fim, chegaram os anos da velhice. Balt-hazar conhecia tudo o que os homens sabem sobre os caminhos que levam a Deus. Mas o seu coração continuava triste, mais triste ainda quando os pássaros cantavam ao entardecer... Já era madrugada. Balt-hazar, como de costume, levantou-se para as orações. Ele orava olhando para os céus, morada dos deuses. Foi então que, olhando para o horizonte, no lugar do sol nascente, ele viu uma estrela que nunca havia visto. Ao redor dela havia um arco-íris. Mas o estranho é que, ao contemplá-la, ele ouvia uma música de enorme beleza, semelhante à beleza do canto dos pássaros ao entardecer. Só que, ao ouvi-la, seu coração não ficava triste. Ao contrário; era inundado por uma alegria que nunca experimentara. O rei mandou chamar os sacerdotes, místicos e profetas. “Vejam aquela estrela“, disse ele apontando para o horizonte. “E ouçam a música que sai dela!“ Os homens de Deus olharam na direção indicada mas nem viram estrela e nem ouviram música. Deixaram então o rei embriagado de alegria e comentaram, baixinho, entre si: “Nosso rei enlouqueceu. Isso quer dizer que o fim da sua vida está chegando...“ Balt-hazar, entretanto, mandou preparar cavalos para uma longa viagem, na direção da estrela. 

**
Mélek-hor era rei de Lagash, o país dos desertos e das areias sem fim. Lá viviam mulheres de olhos amendoados e homens rudes de barba espessa. A sua alegria eram os oásis que pontilhavam as areias com o verde das palmeiras e o frescor das fontes. Foi num desses oásis que Mélek-hor construiu o seu palácio com enormes blocos de pedra branca na forma de uma pirâmide. Pirâmides, como se sabe, são figuras mágicas que garantem a imortalidade. A aridez e solidão da vida do deserto não o incomodavam. Na verdade, ele as considerava desafios para o corpo e para a alma. Mas havia uma coisa que o fazia sofrer: uma melancolia indefinível que sentia ao contemplar os horizontes ondulados de areia que o sol poente pintava de vermelho. O rei convidou seus amigos para um jantar e lhes falou sobre a sua melancolia. E eles lhe disseram: “É compreensível. Nosso país é muito árido. O que lhe falta, ó rei, são os prazeres da vida. Os prazeres o farão sorrir.“ Mélek-hor, então, importou prazeres de todas as partes do mundo: vinhos, frutas, iguarias, músicos, artistas, mulheres lindas... Por anos ele se dedicou aos prazeres que há. Nisso ninguém o excedeu. Mas os prazeres não lhe trouxeram alegria. E ele, já velho rezava em silêncio: “Não quero prazeres; quero alegria, quero alegria...“. A luz da madrugada anunciava que a noite chegava ao fim. O rei, do alto da sua pirâmide, tomava uma taça de vinho. Era hábito seu contemplar o sol nascente: isso sempre lhe dera prazer. Mas o prazer da beleza sempre lhe vinha misturado com tristeza. Mas, desta vez, não sentiu tristeza. Espantou-se ao perceber que estava alegre. E a alegria lhe vinha de uma nova estrela nunca vista que brilhava no céu. E – curioso! - ao contemplar a estrela ele ouvia uma melodia que o enchia de felicidade. Mélek-hor sorriu então pela primeira vez. Deslumbrado, mandou vir seus amigos. Apontou-lhes a estrela, falou-lhes sobre a música. Mas eles, olhando para os céus, não viram a estrela e nem ouviram a música. Amigos que eram, disseram ao rei: “Querido Mélek-hor, nosso rei amado: não há estrela, não há música. Tua mente já não percebe as coisas da terra. Ela navega nas águas do grande rio, na direção da terceira margem... Choramos porque sabemos que estás de partida...“. E tristemente se retiraram, entoando um silencioso requiem. Mas o rei, indiferente às palavras dos amigos, mandou preparar os camelos para uma viagem na direção da estrela. Gaspar, vindo do norte, no seu navio, Balt-hazar, vindo do sul, em seu cavalo, Mélek-hor, vindo do oeste, em seu camelo: três reis que não se conheciam. Agora, cada um do seu lugar, começava uma viagem na direção de uma estrela que só eles viam e de uma música que só eles ouviam. 

 ***

Gaspar navegava em seu navio. Mas uma tempestade o arremessou contra recifes, despedaçando-o. O rei, lançado à terra pela força das ondas, continuou a pé a sua jornada: o navegador se transformou em andarilho. E aconteceu que, depois de muito andar, chegou a uma encruzilhada para onde convergiam os quatro caminhos do mundo: o caminho que vinha do norte, o que vinha do sul, o que vinha do oeste e o quarto, que conduzia ao oriente, onde estava a estrela. Foi na estalagem Os quatro caminhos do mundo que os três reis viajantes se encontraram. Descobriram, então, que eram irmãos: todos vinham da mesma nostalgia, todos caminhavam em busca da mesma alegria. Continuaram, então, juntos, a jornada, até que, noite já chegada, chegaram a um vilarejo. “Que vilarejo será esse?“, perguntaram. Beth-léhem: esse era o seu nome, gravado numa pedra. “Que estranho“, disse Gaspar, “aprendi tudo o que há para ser aprendido sobre reinos, províncias, cidades e vilas. Mas nunca vi esse nome em qualquer um dos livros que li“. Balt-hazar acendeu sua lâmpada de azeite e iluminou, com sua luz bruxoleante, o mapa que abrira sobre o chão. “Aqui está ela“, ele disse marcando com o seu dedo um lugar no mapa.. “Beth-léhem. Fica precisamente na divisa entre dois grandes reinos. À esquerda está o Reino da Fantasia. À direita está o Reino da Realidade. São reinos perigosos. Quem mora só no Reino da Fantasia fica louco. Quem mora só no Reino da Realidade fica louco. Para se fugir da loucura há de se ficar transitando de um para todo, o tempo todo. Somente os moradores de Beth-léhem estão livres da necessidade de estar, o tempo todo, indo de um reino para outro. Porque Beth-léhem fica bem na divisa...“. No vilarejo todos dormiam. Era uma noite de paz. O ar estava perfumado com flores de jasmim e magnólia. E havia um brilho no ar – milhares, milhões de vaga-lumes estavam pousados sobre as árvores. No ar, o som de uma flauta de pastor... A estrela iluminava uma gruta. Os reis se aproximaram. Na gruta havia vacas, cavalos, burros, ovelhas. Era uma estrebaria. Mas, junto com os animais, uma pequena família: um jovem e uma jovem que amamentava um nenezinho recém-nascido. Era só isso. Nada mais. 

****

Perceberam que haviam se enganado: não era a estrela que iluminava a cena. Era o nenezinho que iluminava a estrela. E olhando bem para ela puderam ver, nela refletido como num espelho, o rosto da criancinha. E disseram: “O universo é um berço onde uma criança dorme!“. Aí uma coisa estranha aconteceu: ao olhar para o nenezinho os reis perdiam a sua compostura real; eram dominados por uma vontade incontrolável de rir. E quando riam, ficavam leves e começavam a flutuar. Era assim: quem visse o menino se transformava em anjo... Os reis, em meio aos risos e vôos, olharam cada um para o outro e disseram: “Nossa busca chegou ao fim. Encontramos a alegria. Para se ter alegria é preciso voltar a ser criança...“. Ato contínuo; tomaram suas coroas, capas de veludo, dinheiro, ouro, jóias – coisas de adulto - e as depuseram no chão, ao lado das vacas e dos burros... Eram pesadas demais. E partiram leves, ora andando, ora pulando, ora voando, mas sempre rindo. “Vou mudar de vida“, disse Gaspar. “É horrível ter de estar estudando ciência o tempo todo. Vou me transformar em poeta...“ “Eu também vou mudar de vida“, disse Balt-hazar. “É horrível estar rezando o tempo todo. Vou ser palhaço. O riso é o início da oração.“ Ao que Mélek-hor acrescentou: “E eu descobri o prazer supremo, que vem sempre acompanhado de alegria: brincar. Vou ser um fabricante de brinquedos. Quem brinca volta a ser criança. E quem volta a ser criança está de volta no Paraíso.“. E assim partiram, cada um por num caminho. E se você, nas suas andanças, se encontrar com um poeta, um palhaço ou um fabricante de brinquedos, pergunte se ele não tem notícias de uns três reis...


 Cozinha dos Vurdóns
Devlesa, Desvalessa,amam.

BOLO ESPECIAL INDIANO E A MIRRA

No dia 25 de dezembro é dia de agradecer e de fazer algumas horas de oração para que todas as graças em forma de ternura e respeito se instalem em nossas casas. É hora da MIRRA. Aproveitamos para comer um bolo indiano muito especial.


A mirra é uma resina anti-séptica usada em embalsamamentos de corpos desde o Egito antigo, e, simbolicamente costuma a representava a imortalidade. É assim que a conhecemos em livros e relatórios de historiadores. Entretanto a mirra nos remete também a morte de Jesus, sendo que um composto de mirra e aloés foi usado no embalsamamento de Jesus (João 19: 39 e 40). Outros estudos no Sudário de Turim encontraram estes produtos.  

 Adoration of the Magi  Francisco de Zabarán  1639-40 Musée des Beaux Arts  Grenoble
Baltasar (um dos três reis santos) o mouro, de barba cerrada e com aproximadamente quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”. Baltasar se traduz por “Deus manifesta o Rei”. Foi justamente ele - Baltasar, quem levou a mirra para o reconhecimento da humanidade e a manifestação de que esse seria um dos presentes especiais que aquela criança deveria receber.


A Mirra é usada nas aftas bucais, faringite, amidalite, resfriados comuns e gengivite e apresenta sua ação anti-séptica, antiinflamatória, adstringente e cicatrizante com reconhecido efeito.

As mulheres grávidas não devem ter contato abundante e nem ingerir a mirra, apenas o incenso em pouca quantidade e em locais abertos. Os jardins cheirando a Mirra.

A palavra Mirra deriva do hebraico maror ou murr que significa “amargo”, trazendo a tona que todos terão sua parte amarga dentro da sua existência.

Na tradição cristã, esteve presente no nascimento e morte de Cristo, pelo que ainda hoje continua a ser utilizada nas missas como evocação da paixão. Abraçar a morte no seu sentido lato.
Um dos inúmeros mitos que envolvem a Mirra conta que ela ardia no fogo onde renasceu a Fênix. Essa associação indica, entre outras coisas, o seu poder de mitigar a dor e de estar presente nas grandes transmutações. Efetivamente é uma das melhores plantas a se utilizar quando é preciso ultrapassar mágoas e tragédias pessoais, sendo assim pode-se usá-la como óleo a queimar, gotas no banho tanto do batismo quando da morte. 

Para o povo rhom, a mirra costuma entrar em todos os vurdóns possíveis, é claro que muito dessa tradição já se perdeu, entretanto algumas vertentes ainda fazem uso fiel dessa resina aromática para manter a casa livre de pensamentos indesejáveis, pois sempre se lembra da presença renovada do cristo – kristesco. É considerada protetora e purificadora. A Mirra também é usada para favorecer o fluxo de energia e ajudar em estados meditativos e de contemplação.    
  


Darshan
 Incenso de Mirra .
 Darshan é  uma palavra sânscrita. 
Significa “ver e ser visto por uma divindade, ou fazer uma peregrinação a um local sagrado”

BOLO ESPECIAL INDIANO

Em uma batedeira coloque 1 colher de sopa de manteiga com 1 1/1 xícara de chá de  açúcar. Quando formar um creme ponha os 4 ovos. Bata e continue batendo até o crê ficar totalmente liso. Junte aos poucos a farinha de trigo (3 xícaras de chá), continue batendo e por último o leite e o fermento (dissolva 1 colher de sopa de fermento em 1 xícara de leite), misture delicadamente até ficar todo igual. . Misture  2 latas de leite condensado e 200 grs de  coco ralado.Colocar a massa em uma forma untada com manteiga e farinha de trigo Leve para assar em forno preaquecido a 180º graus. Quando soltar das bordas da forma, está pronto. Desenformar depois de frio.
 
Esse bolo fica assim, fofinho e cai bem no café da manhã ou num lanchinho da tarde, alegra a casa e dá um cheiro de vida que invade. É hora de renascer.
 Cozinha dos Vurdóns

domingo, 20 de novembro de 2011

TEMPERO E DICAS PRO NATAL


Constantin Makovsky 1878

"A sabedoria é como uma flor, de onde a abelha faz o mel e a aranha faz o veneno, cada uma de acordo com a sua própria natureza".


Para o natal, lembrem-se dos grãos, eles trazem prosperidade e fortuna. Por aqui costumamos montar um tempero base para as carnes e que dele se varia todo o resto.

coloque no liquidificador;
2 cebolas descascadas e picadas,
1/2 kilo de sal,
14 cabeças de alho - descascadas e separadas,
1 xícara de chá de azeite.

bata bem até misturar tudo e vá acrescentando mais 7 cabeças de alho, descascadas e separadas. Bata novamente e guarde na geladeira. Agora acrescente curry, salsa, pimenta, orêgano e daí por diante. Uma boa dica é acrescentar (para quem gosta de limão), suco de 7 limões na hora da batida final, fica divino para temperar peixe e frutos do mar.

Outra dica boa e essa vai pra Maria, a nossa Maria de Cadiz:

2 xícaras de chá de ervilhas frescas, 2 xícaras de chá de grão de bico (deve ficar o dia e a noite de molho na água), sal, azeite, salsa fresca, 6 tomates maduros, 3 colheres de sopa de vinagre, 2 cebolas picadas e 1 kg de camarão ou de bacalhau desfiado e desalgado.

Coloque o grão de bico, o vinagre e cozinhe por 20' de pressão, desligue. Coloque o tomate no liquidificador com todos os temperos e bata bem, leve ao fogo com azeite e cebola e encorpe o molho, junte o bacalhau e ou o camarão. Acrescente o gão de bico reservado, 1 copo de água e deixe ferver, acrescente as ervilhas, mexa e desligue.

*se bater tudo junto depois de pronto, vira um senhor caldinho para o consumê de natal,
*se usar para recheio de torta de liquidificador, vira entrada da ceia,
*se forrar uma travessa com batatas cozidas e colocar esse recheio por cima - vira prato principal - mas terá de levar ao forno por 20'.
*se servir junto com folhas de alface - dentro delas, vira uma salada cozida de entrada.

O vinagre ajuda a retirar os gases que o grão de bico costuma dar, serve para os grãos em geral.

COZINHA DOS VURDÓNS

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