terça-feira, 20 de novembro de 2012

A COZINHA DOS VURDÓNS

A COZINHA DOS VURDÓNS


Passa o tempo dos relógios
do chão batido,
da panela de ferro que esquenta mais que o alimento,
aquece a alma.

Vagueia entre o imaginário e a realidade,
o sonho e a névoa.


Arde o tempo dos homens
e a madeira reforça o elo da vida e das circunstâncias.


São tempos onde a memória permanece dependurada,
onde esquecer o passado e estender as mãos para o futuro
é o único caminho.
Esquentam-se os tachos.


Se cozinha as idéias,
a céu aberto,
na esperança que outros apareçam pra comer.


E das trempes aquecidas a brasa e carvão,
vão se tecendo os sonhos do novo tempo.

É preciso acreditar na mudança,
é preciso acreditar na vida.


É preciso acreditar na mudança,
na aliança que se renova,
nos dias que passam,
nas primaveras que sempre voltam.

Se você não notou diferença nas fotos,
veja bem:

a primeira é uma retratação do sonho da vida dos romani, lúdigo, sonhador.
a segunda uma comida preparada na Alemanha, em acampamento Romani,
Os tachos de uma fazenda no Brasil, igual aos do Marrocos,
A próxima na RomÉnia,
oas panelas nos ranchos de Goiás e Minas,
A última em Kosovo.

Não há mesmo diferença nas fotos,
porque não há diferenças entre os romani e nem entre qualquer etnia.

A nossa cozinha luta para manter os tachos limpos,
a comida aquecida,
e a esperança renovada.
Esteja ele onde estiver.
Árvores tem raizes,
nós não.

Cozinha dos Vurdóns

20 comentários:

  1. Também não tenho raizes,
    opré rromalê, Optchá le Romale katar i sá Lumia!

    bjs para todas e contem sempre comigo, mesmo longe estou perto.

    zerafim

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    1. A nossa alegria é essa, Andre amaro ilô!, andre amaro tcher! Ano amaro traio. Thie avel hertô.
      Na nossa vida e na nossa casa. Dentro de nós, do nosso coração. Que Deus te salve e guie.

      nais tukê.

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  2. Estou para aqui a pensar no que quero escrever.
    Primeiro, que gostei das fotografias. Gostei da primeira com todos aqueles apetrechos de cozinha. Gostei dos tachos de cobre: são lindos.E gostei da simplicidade das restantes.
    E depois estava a pensar se é bom ser uma árvore sem raízes...ou se eu conseguirei entender exactamente o que isso é...se é na alma: então gosto. Na alma, no pensamento...mas fisicamente...gosto de ser uma árvore com raízes, de saber onde posso sempre voltar.
    Talvez eu não consiga apenas entender.

    Beijinhos amigos para todas

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    1. Isabel,

      acho que todos somos meio árvores, seja alma - o mais importante, acreditamos.
      Como seres humanos sempre é bom o cheiro e a cor dos lugares que pode voltar, desde que eles não a impessam de ir.
      Se bate o vento e leva as sementes, não é a mesma coisa, não podemos andar.
      Não ter raiz, é não se prender aquilo que passa ou morre, é ter galhos frondosos que podem se deixar cortar para aparar as arestas, mas continuar sendo livre.

      bjs muiiiiiiiiiiiiiiiiitos,

      vc é linda.

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    2. Então acho que também não tenho raízes.
      Obrigada amigas.

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  3. o mais importante, penso eu, é ser capaz de amar sempre o lugar onde nos leve o destino, seja ele qual fòr. Estender as mãos para a frente, " fazer o caminho ao andar",como disse Machado.
    Eu também estou sempre longe, levo as raízes no coração.
    Gostei muito do post, beijos para todas.

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    1. Afinal, o amor não tem distancia e nem fronteira.

      bjs muitos

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  4. Amigas,

    Não tenho raízes fixas, porque raízes há sempre e são determinantes em todo o nosso percurso.
    Daí a minha paixão pelas árvores e pelo mar. Em todas as fotos há um fator de unidade, uma unidade feita de cumplicidades, de fortuna (sorte), de amor, de luta e de humanidade. É isso que analiso nesta vossa postagem, Estou mais ausente mas não me esqueço destes cozinhados!:))
    Beijinhos para todas.

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    1. Anjos nunca se ausentam ... fique tranquila.
      bjs grandes

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  5. Oi gente

    Que post mais lindo!

    Poesia pura
    Reflexão profunda
    E a liberdade, sempre a liberdade

    As mudanças acontecem apenas porque alguém acreditou que elas fossem possíveis.

    Beijos

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    1. Van,

      me fez lembrar uma frase muito parecida:
      o impossível, para deixar de ser, leva o tempo exato para se realizado.

      bjs querida

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  6. Queridas amigas,
    Cá venho à vossa procura, no sítio onde
    "Se cozinha as idéias,
    a céu aberto,
    na esperança que outros apareçam pra comer..."
    E sempre cá venho "comer" um bocadinho! Ideias não faltam, sentimentos também não... E a solidariedade é a comida de todos os dias...
    Sete beijos

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    1. E é essa esperança que nos alimenta em tempos difíceis amiga, aquela que dividimos o prato e o afeto.

      bjs, sempre com carinho e saudade...

      em breve: broas de milho.

      bjs

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  7. O mais importante não é onde, nem como, mas quem.
    São as pessoas, independentemente do local onde estão, das profissões que exercem, da sua filosofia de viva, da religião,...
    Fazemos parte de um TODO.
    Gostei do texto e das imagens.
    Saúde para todas e beijos.

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    1. Isso Cláudia, é assim que pensamos e é isso que desejamos, que o mundo consiga se ver de verdade e com respeito.

      bjs muitos

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  8. But,but shukár!Lindas imagens,texto muito interessante!Parabéns!Beijos!Ando Sara!

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    1. kalin shukár, linda é vc.

      bjs sempre querida.

      ando sara - sempre.

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  9. Queridos amigos. faz tempo que não venho por aqui, devido a alguns probleminhas de saúde que já mencionei por aqui, mais graças a Deus, já to saindo deles.
    Bom, mudando de assunto, hoje tive um tempinho e quando vi a poesia, eu percebi que apesar de não ser cigana, sempre me senti sem raízes (como vocês dizem as árvores tem raízes), pois sempre acreditei que o mundo foi criado por Deus sem fronteiras seja de qualquer espécie (física,política, psicológica, etc) e homem devido a sua ganancia de poder inventou (criou) mil fronteiras, apartando-nos uns dos outros. Acredito que uma vez comentei com vocês que muitos de meus amigos dizem que eu tenho "alma cigana".

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    1. seja sempre bem vinda. Todo coração valente como o seu é bem vindo.

      bjs nossos

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Sejam todos bem vindos.

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