segunda-feira, 29 de agosto de 2011

CIGANOS

CIGANOS NO BRASIL – ANO 2011.

PARTE 1
CONVERSAS NA COZINHA
MOSAICO CIGANO - Gypsy Girl ou La Gitane, mosaico do primeiro
século da Era Cristã encontrado em Zeugma,
antiga cidade grega, atualmente localizada
na província de Gaziantep da Turquia.
A denominação do mosaico representa
um pouco da idéia que o Ocidente estabeleceu
sobre a figura e essência misteriosas dos ciganos.


Hoje conversamos. Relemos algumas entrevistas e algumas audiências feitas e outras coisas mais sobre o povo cigano. O despreparo é assustador. E constatamos, somos realmente um povo invisível. Não nos vêem, mas isso não é o pior, queremos ser vistos, mas não enxergamos. A invisibilidade está dos dois lados. De um lado a disparidade dos ciganos ao redor do mundo, as diferenças são enormes. Os mais instruídos, seja de qual clã pertencer, possuem uma visão mais abrangente sobre a realidade do seu povo. O que deixa marcas é o fato que na hora que a coisa aperta, a responsabilidade dos governos se voltam contra essa etnia. O alicerce individual de toda e qualquer pessoa passa pelo respeito e passa também pelo modo com que a sociedade se comporta quanto os seus direitos são afetados. Precisamos aprender a notar as etnias e dentro delas, a sua cultura e o seu soberano direito de existir.


Sendo um povo que nunca registrou seus feitos por escrito, mudando de lugar de tempos em tempos, não possuindo moeda própria nem território próprio, os ciganos ou roms ou rhom, gitanos, gitane, zigeuner, zíngaros, gypsies, Цыгане; Çingeneler e fazem parte do mundo, são pessoas, famílias, cidadãos de vários países, possuem cultura própria, vão a universidade, escolhem a religião a seguir, possuem língua própria e suas variáveis, ou seja, seus dialetos, se subdividem em classes diferentes, amam, comem, pagam contas, ocupam várias profissões, viajam, são pobres, desabrigados e sem casa, sedentários, nômades, possuem casa própria, são ricos, analfabetos, inteligentes, tristes, sofridos, alegres, excelentes bailarinos e são homens, mulheres e crianças. Possuem um estilo próprio como qualquer outro povo que possua uma identidade própria. Temos que ser práticos, a era da fantasia acabou. Agora se discute as necessidades básicas dos seres humanos. Ciganos, diferentes sim e porque não? Quem não é.


Duas situações em relação aos ciganos que persiste: primeiro o estereótipo e segundo a falta de conhecimento sobre o assunto.

As necessidades da comunidade cigana não incluem vilas restritas (devemos ter cuidado com os guetos), veja Hungria, a Alemanha por exemplo. Os ciganos de todo o mundo, cidadãos registrados nos países onde nascem, devem ter direito a saúde e a educação e devem fazer uso disso. Todos sabemos que a inclusão tem dois braços, uma mão concede e a outra aperta. Não será diferente. Toda a ajuda passa pelos dois lados da ponte.

JEAN B. COROT

Os ciganos no Brasil e em sua maioria precisam de mais acesso as escolas e as escolas precisam saber quem são os ciganos. Sem escola, sem condição de emprego e sem oportunidade. Sem casa ou nômades por opção? Todos devem entender que as pontes existem para serem atravessadas. De um lado o estado tem obrigação de conhecer seus cidadãos e saber aonde estão, independente da etnia que tem, localizar as necessidades de um povo e tentar sanar essa carência.


A comunidade cigana deve buscar um entendimento maior sobre a inserção e as suas vantagens e desvantagens – esse é o papel das Associações ciganas. Quem faz a política pública é o governo, mas quem luta e dá idéia para melhorar é o povo. O mundo não pode fechar os olhos para uma etnia que serviu de bode expiatório durante anos, mas serviu de guia, de carteiro na transmissão de mensagens, que está inserido na cultura musical de quase todo o mundo, mas que ainda é chamado de boêmio no dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. As frases que mais marcam o cotidiano de preconceitos não se aplica mais aos ciganos, entretanto a desinformação e o desconhecimento permanece, piorando e muito a situação, transformando assuntos simples em batalhas campais até entre os próprios ciganos de diferentes clãs. É como se sua origem desaparecesse só pelo fato de ser um expoente. Cigano é vagabundo e não estuda. Estuda sim, tem mestrado e doutorado, e já são em grande número no mundo todo.

GRÉCIA - MAS PODERIA SER EM QUALQUER PARTE DO MUNDO.

O povo cigano precisa de respeito, tanto das autoridades quanto de si mesmos nas conduções dos temas mais urgentes. Todo cigano tem que ser nômade! O sedentário deixou de ser cigano. Cigano pobre é calon, cigano rico é ROM! Calon não é cigano, ROM é. Isso é xenofobia, picuinha, burrice e de uma falta de amor próprio que estarrece qualquer um de bom senso. Todo cigano lida com bruxaria. Preconceito não se banaliza, se esclarece a luz da informação e do conhecimento. AQUI.
Não é falta de dados, hoje isso se chama hipocrisia. Dos governos, da sociedade, das instituições e de todos aqueles que fecham os olhos para não enxergarem a responsabilidade que temos uns com os outros ao longo da vida. Precisamos acudir com urgência os nossos pobres e excluídos e eles são de todas as cores. Eles precisam comer e precisam saber que podem e que existem, podem ser claros, índios morenos e negros. Num país como o nosso aonde todos, inclusive ciganos que aqui chegaram junto com Dom João VI ainda não possuem sua história contada e sua cultura valorizada. Alguém pode me dizer da onde vêm às inspirações dos panos de chita colorida, das sedas da Índia, dos pães com ervas? E o circo? Ágüem se arrisca?

Cozinha dos Vurdóns
porque caminhar é preciso.

sábado, 27 de agosto de 2011

SAMOSAS, POORIS E NOSSO AMIGO MANUEL POPPE

Manuel, essa imagem nos lembrará sempre você.
"ANJOS DA GUARDA"- Manuel Poppe
Muito se conversa numa cozinha, muito se relembra e se pensa. Numa cozinha rhomá, cada alimento tem o seu sentido, cada qual gosta de alguma coisa e esses são pequenos cuidados e pequenos carinhos que fazem parte do dia a dia. Acreditamos que isso aconteça em todas as cozinhas ou na maioria delas. A grande diferença é que dizemos isso. Dizer os sentimentos, demonstrá-los e trazê-lo pro dia a dia, muitas vezes não é fácil. É como dar um beijo a distância e sussurar ao vento: temos você gravado no pensamento e no coração. Outra coisa que poucos sabem é que para o povo cigano a comida é uma dádiva, uma benção, um presente ... a fome não nos é estranha nem irreal, faz parte da educação de todo cigano que se preze, seja de que tribo ou clã pertencer.

Manuel Poppe
Hoje nos lembramos do Manuel, menino, perto do acampamento, pequenino que era, na sua querida e amada Guarda - PT, da coragem naqueles tempos, ingênua e sutil lembrança, que guardaria até nos encontrarmos no Café Nicola em maio de 2011. Recordamos os livros que ganhamos autografados, dele e da Falcão. No meio disso tudo, uma rápida leitura de mão, corajoso nosso amigo, mas não fomos nós que lemos, ele leu. 

Do abraço sincero, não nos viramos para nos despedir. O veremos denovo, mais uma vez que seja, e falaremos de pensamento, mundo, vida, samosas e esperança. Esse é pra nós um pedaço, um trecho da vida de cada uma, que ficará marcado para sempre.


 Dono de uma sensibilidade enorme, de uma vívida relação humana e senso crítico, te deixamos samosas - pequenos pastéis indianos. Se estivesse aqui ou nós aí, teríamos virado a noite a conversar e a brincar. E qual criança não gosta de samosas??? ou pastéis???

Samosas com recheio de ervilha e batata, creme fresco e pepinos.
Samosas são pasteizinhos ... a grosso modo de dizer e pooris são pães, petiscos simples, entretanto são comuns na Índia como pra nós é o pastel.

SAMOSAS

300g de farinha de trigo (mais de 1/3 do pacote comum de farinha) – sem fermento,
15g de manteiga (umas 3 colheres de sopa cheia) com sal e na temperatura ambiente,
Óleo para fritar e uma pouca quantidade para a superfície da massa.

Samosas em rolo recheadas de carne
Peneire a farinha em uma tigela grande ou gamela, coloque toda a manteiga e 4 colheres (sopa) de água. Misture com as mãos até obter uma massa homogênea.
Agora sove a massa bem. Umedeça os dedos com óleo e pressione a massa até ficar flexível. Se prepare, isso leva uns 10’, mas é divertido. Pronto divida a massa em partes iguais, deve dar de 7 a 8 partes. Coloque um pouco de óleo na superfície em que for trabalhar a massa (normalmente é mármore ou granito). Abra cada parte que separou com um rolo. Ela deve ficar fina. Corte quadrada ou em forma de disco, essas são quadradas. O recheio deve estar pronto e frio. Recheie e feche apertando as pontas com o dedo umidecido de óleo. Coloque óleo numa panela alta até ficar bem quente. Frite dos dois lados e coloque pra escorrer.

Os Pooris também podem ser fritos sem rechear, leva-se o recheio a mesa em separado ... é aí que entra o chutney de abacaxi apimentado, gosto marcante e preciso, bem no velho estilo indiano.

Coloque 1 abacaxi cortadinho, 1 colher (sopa de sal), 1 pimenta de cheiro picadinha, 3 colheres de sopa de azeite e 1 xícara de café de uva passa escura – coloque na panela e vá mexendo, acrescente aos poucos o açúcar – de 3 a 4 colheres e continue mexendo. Tampe a panela e abaixe o fogo, acrescente 7 bagas de cardamomo e 3 colheres de gengibre ralado. Deixe quieto cozinhando por 5 minutos. Destampe e acrescente 3 colheres de vinagre de maça, mexa e prove, se achar que precisa de mais doce, coloque. O próprio abacaxi solta muita água. Quando terminar e tudo estiver macio, retire o cardamomo e deixe esfriar completamente, depois guarde na geladeira e como com queijo creme.

Samosas de legumes com pasta de espinafre ardido.
Outra dica boa: se quiser fazer os pãezinhos com antecedência é só colocá-los no forno para aquecer antes de servir.

 Nais tuke por teres nos levado junto a vosso braço e pelas vossas mãos ao vaso de margaridas amarelas. 
Já as "rosas azuis" são uma das lendas rhoms mais bem guardadas e oferecê-las a alguém é saber que dentro do peito dessa pessoa vive o verdadeiro amor, mesmo que ela mesma por vezes não se dê conta.
Desvalessa,
Cozinha dos Vurdóns

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

NOITE CIGANA 2011

NOITE CIGANA 2011

O ano de 2011 trouxe a AMSK/Brasil muitas alegrias e junto com elas muitas realizações. Em maio desse ano, estivemosem Saint Marie de la Mer/Fr para agradecermos de perto todas as vitórias e conquistas alcançadas.
Não tem sido fácil, caros amigos, nadamos contra a corrente, mas aprendemos com Ikana Sara a driblar essas dificuldades.  Sara Kalí - a mulher de pele morena. Que lutou contra injustiças e preconceitos, devemos a ela nossa força, maylê e mayrí que é e que tem no ensinado a ser.
No dia 24 de setembro vamos dançar pra ela e vamos cozinhar pra ela e em nome dela estaremos ajudando 220 crianças assistidas pelo Centro Espírita Aprendizes do evangelho, da cidade de Cavalcante GO. Essas crianças são encaminhadas ao referido centro com indicações de pobreza e desnutrição, pelo posto de saúde da cidade. Lá recebem leite e cesta básica, multi mistura além de poderem ter reforço escolar, biblioteca, bazar e oficina de pequenos consertos além de muitas outras atividades. Não há restrição nem imposição religiosa e é esse o principal fator de nossa ajuda. Existem ciganos descendentes, brancos, negros e pardos de todas as regiões desse vasto Brasil, que por lá fincaram sua morada e precisam de ajuda. a grande dificuldade ainda está no controle de natalidade, com mães muito novas. Esperamos suprir essa carencia mesmo que seja temporária, pois há um empenho muito grande dos dirigentes, dos doadores e da população local. Agradecemos a oportunidade de ajudar. Iniciamos também a campanha da fralda de pano, mais barata e de acordo com a condição financeira do local. A grande vantagem é um maior controle das alergias.

 E foi nessa cripta que depositamos nossas esperanças e agradecimentos num mundo mais justo, rezamos na missa junto com ciganos e não ciganos, de muitos países e de várias religiões, numa igreja, a Notre Dame de La Mer, que não fecha suas portas, pelo contrário ela prmanece aberta a todos que lá vão em busca de consolo, carinho e gratidão.
É com esse carinho que começamos os nossos trabalhos de assistência. Junto com as Homeopatas dos pés descalços, com o trabalho em asilos e bairros, além dos andarilhos pelo interior do país.
E imaginema nossa alegria de vermos logo após as festividades, um grupo de crianças em visitação ao santuário e a Sara, aprendendo sua história e ouvindo do padre local que essa santa, Sara kalí, realmente andou naquelas praias, sentou naquelas pedras, Sara não é uma lenda, ela foi real e permanece viva através da fé do povo rhom, o povo cigano. Justo um mês depois de termos implementado junto com o CEF 104 norte, o projeto KALINKA - ciganos na minha escola/uma história invisível... realmente tivemos e temos muito a agradecer.

No fundo não nos importa abarcar o mar, nos importa e muito crescer junto com nossas ações, acudir nas nescessidades onde outros não podem suprir. não queremos o mundo, queremos apenas ligar esse mundo a um povo que por onde passou construiu e ajudou a construir nações, em paz e sem guerra. 

VIVE LE SANT MARIE ...VIVE LE SANT SARAH

E é claro, todos estão convidados.
Cozinha dos Vurdóns
AMSK/Brasil

terça-feira, 23 de agosto de 2011

UM DOCE PARA CEZARINA DEVOS

 Mais ... quem é Cezarina???
Cezarina Devos Macêdo
 

Mulher, psicóloga, descendente Calon, escritora, artista plástica, estudiosa da cultura cigana, poetiza... Mulher cigana.

Cezarina tem ajudado a resgatar trechos da história dos ciganos, mostrando quase que diariamente as diversas formas de expressão desse povo, no Brasil e no mundo.
Aos poucos o esteriótipo vai perdendo cor e forma, o preconceito cai em descrédito e muito do misticismo acaba por desaparecer da idéia de algumas pessoas.

Mais e mais, mulheres de etnia cigana, descendentes ou de sangue, vão descobrindo de forma atual, como inserir as necessidades do povo cigano, sem achaques, sindromes de inferioridade e arrogância. Isso faz dos blogs que ela administra uma bela compilação de estilos e forma de um mesmo povo. Num mês que nos chegam entrevistas de ciganos e a discriminação dentro da própria etnia, pensamos em mulheres com Cezarina. Uma ponte entre os esteriótipos e o mundo reservado dos ciganos, onde muitas vezes nem os descendentes são acolhidos. Verdade seje dita.

CHUTNEY DE MANGA DA MAYLÊ


1 colher (sopa) de azeite
1 manga grande em cubos
2 colheres (sopa) de gengibre descascado e ralado
2 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sopa) de vinagre de malte ou de maça
1/2 colher (chá) de pimenta-do-reino
1/2 colher (chá) de sal
Algumas ameixas pretas sem carroço.

Aqueça o azeite em uma panela de fundo grosso, em fogo baixo. Coloque a manga, o gengibre, o açúcar, o vinagre, a pimenta e o sal e deixe cozinhar, mexendo de vez em quando, mais ou menos por 20 minutos, ou até a manga amolecer (não desmanchar). Acrescente as ameixas e misture.
Desligue o fogo e deixe esfriar completamente. Coloque o chutney numa vasilha de vidro esterilizada (água quente) e bem vedada. Conserve na geladeira por no máximo 2 semanas.
Aqui mqis elaborado, do pessoal "Dicas e receitas"
No chutney da Maylê, colocamos 4 bagas de cardamomo no cozimento – no término retiramos, o gosto tende a se acentuar bastante se permanecer fechado. Uma para o Rei do norte, outra para os ventos do sul, um agrado as montanhas do leste e as lembranças do oeste. 
Com uma bela taça de vinho, um manrô recém saído do forno e um filé de barcklô - só mesmo a música dessa orquestra que acompanha um violinista cigano de primeira grandeza.

Veľké Diabolské husle - Cigánsky plač 
Ashen Devlesa! 
Aman, Desvalessa 
Cozinha dos Vurdóns

TRABALHO ESCRAVO - CONVERSAS NA COZINHA



Trabalho escravo se configura pelo trabalho degradante aliado ao cerceamento da liberdade. Este segundo fator nem sempre é visível, uma vez que não mais se utilizam correntes para prender o homem à terra, mas sim ameaças físicas, terror psicológico ou mesmo as grandes distâncias que separam a propriedade da cidade mais próxima.

São crianças no campo, nas nossas mesas e no nosso combustível.
São as nossas roupas no nosso guarda roupas  - confeccionadas pelo trabalho escravo. (reportagem completa)

Agora é público, notório e escandalozo. Quando você quiser uma roupa bonita e a preço bom, de boa marca...passa na Zara. Não passamos mais.
Por aqui não compramos mais, aliás não compramos mais na C&A, na Zara, na Marisa, na Pernambucas, nem na Collins. É o que podemos fazer, então faremos. 

entre no link acima
 
Posso e devo saber onde vai o meu dinheiro e vamos fazer uso desse direito mesmo que isso represente pouco. As vezes não sabemos de tudo, mas quando temos a informação, não fazer nada é vergonhoso. 
Somos mulheres que não gostaríamos de ver nenhum dos nossos nessa situação, porque vemos os dos outros? Se a nossa arma é deixar de comprar, deixem.

OIT
DENUNCIE  
Viver de forma decente é um direito, não um favor. Seja aqui, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo. Pode ser pouco, mas a não ação é muito pior. 

Cada país deve ser responsável pelo que abarca, pelo que compra e pelo que faz chegar as nossas mesas. Infelizmente essas lojas não estão sozinhas e essa prática não é nova ou recente. O trabalho escravo envergonha qualquer povo, qualquer governo que fecha os olhos para a sua prática.
BASTA
COZINHA DOS VURDÓNS

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