domingo, 31 de julho de 2011

JÚLIO DANTAS E O FALCÃO DE JADE

Severa - Júlio Dantas 1901
Júlio Dantas (1876-1962), Escritor, jornalista, diplomata e político português. Escreveu a peça teatral  - A Severa onde algumas vezes exaltou a beleza e a força dessa cigana, cantora de fados.

É a maior fadista cá da Mouraria! Quando canta, parece que a alma da gente vai atrás dela. Mas, sangue de cigana, braço peludo e lume no olho! Não é de quem quer; é de quem ela quer. (p. 15) 
...é a mulher que me convém! Assim mesmo, em bruto, como nasceu, com o sol no fundo dos olhos e a alma na ponta dos dedos, a afiar o calão e a navalha, a rir com o sangue pelas toiradas, a chorar com o fado pelas vielas! (p. 28)
De tempos sabemos dos esteriótipos e de uns tempos pra cá vemos muitos lutando contra este que é um gangro no meio da cultura cigana. Não o achar bonito, o ir de encontro, o procurar entender e com isso somar. Esse carinho tem um falcão, chamado jade que voa entre Portugal e tantos outros países, que bem poderia estar nos contos e nas peças de Júlio Dantas, pela força, coragem e determinação com que voa. Não seria a severa certamente, seu temperamento é doce e meigo, mas seria sua defensora e amiga com certeza.
Se era isso ou aquilo, nem nós nem a Falcão nos preocupamos. Parece-nos certo uma coisa: os que fazem do preconceito um modo de vida, invejam a liberdade dos erros, se vestem de hipocresia para apontar as ditas atitudes dúbias e se esquecem de alicerçar suas realidades aos fatos...cozinhando por aqui, lembramos dela por lá e de sua paixão por cebolas e de sua amizade que sempre nos sobrevoa. 
Conserva de cebolas agridoces

1 xícara de vinagre branco, 5 cravos da índia, 2 litros de água,  1/2 colher (sopa) de sal e 2 de açucar.

Coloque a água no fogo com o sal e o vinagre, deixe ferver e acrescente as 15 ou 20 cebolas pequenas e inteiras. Quando a água tiver diminuído pela metade, coloque o açucar e deixe começar a formar um líquido encorpado. Coloque então os cravos e deixe engrossar mais um pouco. Desligue. Deixe esfriar e coloque em uma compoteira, pois dura algum tempo na geladeira.

 Cebolas douradas

Descasque e corte em rodelas 4 cebolas grandes. Numa frigideira ponha: 3 colheres de azeite, 2 dentes de alho amassados e 1 colher de manteiga. Quando o alho fritar e ficar transparente, junte as cebolas descascadas (que estavam repousando em água e cravos). Vá mexendo e colocando sal - 1/2 colher de sopa. Quando começarem a ficar transparentes, junte 1/2 copo de vinho branco (opcional) e 4 colheres de sopa de mel. Refogue até não ter mais líquido e as cebolas estiverem envoltas no mel.


Refogue: pimentão amarelo e vermelho, berinjela, cebola picadinha e vagem cortadinha - 5 minutos mexendo na frigideira com azeite, sal e alho.  
Coloque azeitonas verdes e pretas, pêssegos em calda cortados, uva passa e melão cortado. 
Misture tudo e tampe a frigideira. Desligue e deixe tampada por 5 minutos. Retire e deixe esfriar. Coloque manjericão e hortelã. 
 Salada crua de verão
Nozes, cebola crua, repolho cru, pepino, cubos de tomate, azeitona, laranja picada, alface, azeitonas pretas e verdes.
Pique tudo numa bacia e acrecente: 1/2 limão (suco), uma pitada de açucar, 1/2 copo de vinho tinto (de mesa), azeite, salsa picada (seca e fresca), alho torrado e sal a gosto. 

Em toda família rhom, as cebolas são reconhecidas como verdadeiras amigas. Nas gripes, nas febres, no frio e no calor. Limpam o corpo. Fortalecem o sistema imunológico e retiram de nós infecções e inflamações. São chamadas de termogênicas, pois elevam a temperatura do corpo fazendo com que líquidos indesejáveis - como muco, coagulos, restos de gripe e outros, sejam eliminados. Dão alívio ao corpo e nos fazem pensar melhor, ficamos mais dispostas e ativas. Desde as caravanas antigas, em terras de Jacó, as mulheres plantavam cebolinhas na beira dos rios e lagos. Era o tempo do plantio e o tempo da espera.
Cozinha dos Vurdóns

sexta-feira, 29 de julho de 2011

COZINHA KALDERA - PAÇOCA

A Cigana - Frans Hals - 1580 á 1666. Museu do Louvre.
PAÇOCA 

Paçoca é receita de avó, hoje já se compra pronta, mais antes se fazia. a bagunça durava o dia todo e a recompensa chegava na merenda da tarde.
Pras crianças a paçoquinha e pros adultos o Bolo de Paçoca com um café fresquinho.


Eis uma receita pra lá de antiga e que a muito alegra crianças e adultos. A Paçoca doce era feita de rapadura, depois foi feita com mel e mais tarde com açúcar mascavo e hoje com açúcar branco. 


1 quilo de amendoim
1 quilo de açúcar
1 quilo de farinha de mandioca torrada
1 colher (sopa) cheia

Eis a paçoca

Torre o amendoim na panela ou em tachos, mexendo sem parar com uma colher de pau. Quando escurecer e tiver crocante, desligue e coloque o amendoim numa peneira grande para tirar as casquinhas. É casquinha que não acaba mais. Se achar um já torrado e sem sal, não pense duas vezes, compre. Soque o amendoim no pilão (hoje se pulsa no processador) e adicione aos poucos a farinha de mandioca torrada (já compra pronta) e o açúcar. Depois que tiver socado tudo bem direitinho, acrescente o sal – mais ou menos 1 colher (de sopa) cheia. Unte as mãos com um pouco de manteiga e vá dando o formato, enrole no insulfilme e deixe descansar um pouco. Desenrole e pronto.

Vamos ao BOLO DE PAÇOCA:

Bata no liquidificador a paçoca (6 paçocas redondas); 1 xícara (chá) de açúcar; 1 xícara (chá) de leite; 1 pitada de sal, 1 colher (sopa) de manteiga e 4 ovos inteiros.


Retire e misture a farinha de trigo (2 xícaras (chá)), a canela (1 colher (café) de canela em pó – opcional) e 1 colher (sopa) de fermento em pó - sem bater.
Coloque a massa em uma assadeira (A forma deve ser mais altinha e redonda) untada com manteiga e polvilhe com farinha, leve ao forno quente e deixe assar por 30 minutos.

Desenforme e corte em 1 ou 2 partes. Prepare o recheio com 1 xícara de creme de leite fresco, 2 paçocas esmigalhadas e 1 pacotinho de 50 grs de amendoim triturado (ou soque – quebrando-os bem). Bata as natas e misture com o restante dos ingredientes. Recheie e cubra o bolo. Pode enfeitar com paçoquinha triturada. Ou faça com o recheio com doce de leite de colher.

Cozinha dos Vurdóns


THIE BLAGOIL O DIEL SAR LE ROMEN TAI LE GAGEM KATAR LE LUMIA.
(Deus abençoe a todos no mundo - ciganos ou não)


David Garrett Csardas Gypsy Dance Alic/Mty 

 

Czardas - Budapest Gypsy Symphony Orchestra / "Live in Athens 2009"


"Onde há comida, a saúde e alegria de viver. Cozinhar, poder cozinhar é mais que um robe, um dom, um prazer ou uma magia. Poder cozinhar  e ter o que cozinhar e comer é antes de tudo uma dádiva. O alimento é pra nós um presente todos os dias". Maylê Kalima.
Cozinha dos Vurdóns


quarta-feira, 27 de julho de 2011

ANDORRA - UM ATÉ BREVE


Um pequeno grupo de espíritos determinados

possuidores de  uma fé inquebrantável na sua missão 

pode alterar o curso da história. 

(Mahatma Gandhi )

ANDORRA – UM ATÉ BREVE

 




 
A origem do sorgo

A origem do sorgo está provavelmente na África, embora algumas evidências indiquem que possam ter havido duas regiões de dispersão independentes: África e Índia. A domesticação do sorgo, segundo registros arqueológicos, deve ter acontecido por volta de 3000 a. C., no tempo em que as práticas da domesticação e do cultivo de outros  cereais eram introduzidas no Egito Antigo a partir da Etiópia. O sorgo deve ter chegado ao Brasil da mesma forma como chegou nas Américas do Norte e Central: através dos escravos africanos.
Nomes como “Milho d’Angola” e “Milho da Guiné”, encontrados na literatura e até hoje no vocabulário do nordestino do Sertão, sinalizam que possivelmente as primeiras sementes de sorgo trazidas ao Brasil entraram pelo Nordeste no período de intenso tráfico de escravos para trabalhar na atividade açucareira.
Seu valor nutritivo é pouquissima coisa menor que a do milho.
BRASIL. Ministério da Saúde. Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição (CGPAN). Alimentos Regionais Brasileiros. Brasília: Ministério da Saúde. 2002.















 










Em Andorra comemos um bolo de fubá, receita de uma Baiana que reside por lá a uns 8 anos. Quando poderíamos imaginar. Bolo de fubá e Salada de fruta fresca, o que pra nós se acha até em parada de ônibus de tão comum que é. 

 Spermercados em Andorra tem a mesma variedade que as verdurarias Brasileiras (eles plantam apenas 5% do que consomem)
O Brasil tem a África no sangue e a Índia também. Pra falar a verdade nem imagino um país que não tenha alguém morando ou com descendentes por aqui.  Quantos países colonizaram e foram colonizados. A fome e a pobreza tem raízes mais profundas do que podemos imaginar, do que gostaríamos muitas vezes de conversar. Quanto a nós o Brasil não é um país pobre, mas um país extremamente desigual, com muitos pobres.


Bolo de Fubá da Baiana de Andorra.

Bata 3 ovos, 4 xícaras de leite, 1 xícara de queijo parmesão ralado, 1 xícara de coco ralado, ½ xícara de fubá de milho (ou de sorgo), 2 xícaras de açúcar, 1 colher de sopa de manteiga, 3 colheres de sopa de trigo (ou de sorgo) e 1 colher de sopa de fermento em pó, no liquidificador. Asse em forma untada com manteiga, em forno quente.

Os ciganos vieram da Índia, os escravos africanos foram espalhados no mundo e levaram a sua cultura, a África está ligada a cultura de todos os países, de uma forma ou de outra. Aonde está a separação das coisas? Na ignorância e no racismo sem precedentes, na cobiça fora de lugar.
Quando estivemos em Andorra a crise na África já se estabelecia como muito grave. Talvez Andorra seja um capítulo da nossa utopia. Impossível não pensar.


Cerca de 16,2 milhões de brasileiros são extremamente pobres, o equivalente a 8,5% da população. A estimativa é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir da linha de extrema pobreza definida pelo governo federal.
Anunciada nesta terça-feira, 3, a linha estipula como extremamente pobre as famílias cuja renda per capita seja de até R$ 70. Esse parâmetro será usado para a elaboração das políticas sociais, como o Plano Brasil sem Miséria, que deve ser lançado em breve pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).


BLOGAGEM COLETIVA
A FOME É UMA QUESTÃO MUNDIAL
NAIS TUKE


COZINHA DOS VURDÓNS

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